9 de Janeiro de 2010

AGENDA

Amanhã, dia 10, a SOSAnimal promove uma campanha de adopção de cães e gatos no Jardim Vieira Portuense em Belém (próximo do McDonald's).
Entre as 11 e as 17, vão estar disponíveis vários animais para adopção, inclusivamente alguns provenientes do canil/gatil municipal de Lisboa, aqueles que infelizmente se encontram em situação mais precária e com necessidade de uma solução a curto prazo.
(Para além das adopções, decorrerá uma recolha de donativos tais como medicamentos, produtos de limpeza, ração, etc.)

Ainda no que se refere ao canil, e visto estar a decorrer a 2ª fase do orçamento participativo da Câmara Municipal de Lisboa - a fim de se criarem condições de maior dignidade e humanidade para os animais que lá se encontram - está a votos um projecto que prevê a 3ª fase de construção destas instalações municipais.
aqui relatei a minha (degradante) experiência com o canil/gatil municipal, pelo que apelo a quem esteja sensibilizado para esta matéria a não se esquecer de participar.
A votação encontra-se aberta até dia 15 de Janeiro.


( Imagem: Iolanda Mealha )

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23 de Dezembro de 2009

NATAL CANINO


Boas Festas, e um delicioso 2010 - cheio de coisas boas, muito amor, tolerância e compaixão, e muitas, muitas histórias felizes no que toca a animais: canídeos, felinos, e todas as outras espécies tantas vezes esquecidas.

Até ao próximo ano! ;)

xxx

( Video: I Prefer NCY )

15 de Dezembro de 2009

SEM PESTICIDAS


Sou vegetariana desde os últimos 15 anos, um regime alimentar que adoro e aconselho vivamente - facílimo de colocar em prática, ao contrário da crença popular - mas no que toca aos animais cá de casa, o caso muda de figura (consoante os especialistas, os gatos são essencialmente carnívoros, mas nos cães é possível limitar o consumo de carne).

Hoje em dia, com toda a informação disponível e uma incessante procura de melhores produtos para os nossos amigos de quatro patas, algumas marcas já começam a criar uma alimentação equilibrada e ética - na qual deliciosos ingredientes vegetais predominam - entre elas a The Organic Pet.

Com uma linha de alimentação complementar para cães (estará brevemente disponível a destinada a felinos), os biscoitos da marca britânica são orgânicos, sem conservantes, sem aditivos, sem sal, sem açúcar, e isentos de carne (o único ingrediente de origem animal, presente em alguns sabores, é o ovo).
Com um packaging giríssimo, e disponíveis nos tamanhos Minis, Bites, e Jumbos (perfeitos como oferta de Natal), estes deliciosos biscoitos são concebidos para manter uma boa digestão, fortalecer os dentes e refrescar o hálito, e apresentados em sabores verdadeiramente inusuais... Hortelã e Ervas; Canela e Mel; Tomate Seco, Espinafre e Ervas; Cenoura e Maçã; Mega Banana, e Banana Cantucinni.

The Organic Pet - à venda em todo o país nos Hipermercados Continente e Jumbo, El Corte Ingles, supermercados bio, pet shops, clínicas veterinárias e, para quem não se encontra por perto, na loja online da marca.


( Imagem: Iolanda Mealha )
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18 de Novembro de 2009

THE PRINCIPLES OF UNCERTAINTY







Ultimamente não tenho actualizado o blog com tanta frequência quanto gostaria...  
Com o Natal à porta, a sua véspera significa um crescente de encomendas e uma carga extra de trabalho! 

Hoje, durante a visita a um dos meus blogs favoritos, lembrei-me de aqui colocar algumas ilustrações da sua talentosa autora, Maira Kalman - desta feita com animais, e as quais foram convertidas num delicioso livro.


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10 de Novembro de 2009

GOURMAND


O Tomás, um dos resgatados do canil/gatil municipal de Lisboa, é um gato exuberante, simpático e um nadinha territorial, mas o que verdadeiramente salta à vista - para além do seu lindíssimo pêlo ruivo - são as suas predilecções gastronómicas.

Obcecado por comida, grande parte do seu dia consiste em vocalizar a sua constante necessidade por mais, correr atrás de nós no intuito de conseguir uma refeição extra, e arquitectar verdadeiros esquemas para abrir a porta do armário e de lá subtraír alguns biscoitos.
Como tal, e aliado ao típico dolce fare niente felino, o rapaz tem alguma tendência a ganhar peso, o que poderá precipitar condições de saúde menos agradáveis.
Felizmente, resultante de um propositado racionamento da minha parte, o Tomás tem conseguido manter o peso e até já revela alguns músculos mais definidos. ;)

Eis uma imagem de relaxamento - entre refeições! - num raro momento de sol...


( Imagem: Iolanda Mealha )

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4 de Novembro de 2009

NA MANTA






Com a partida da doce Flora, as últimas semanas têm sido de constante observação dos restantes felinos. 
O Fibi e o Tomás, que consigo conviveram, têm estado a ser vigiados a possíveis sinais de PIF (abdómen inchado, febre, falta de apetite, letargia, e uma névoa em redor da pupila - mais comum em casos de PIF seco mas decorrente em ambos) e suplementados com vitaminas e minerais, Corpet e Interferon oral (Virbagen).

Como a doença é despoletada por uma situação de stress físico ou ambiental, também adquiri Feliway, o produto milagre à base de feromonas felinas, que em versão difusor eléctrico tem mantido a minha casa um verdadeiro retiro zen para gatinhos stressados. 
O Tomás, que secretamente pretendia demolir o quarteirão com o seu miar constante, está praticamente irreconhecível... É um produto absolutamente fantástico, o qual procurei imenso  em lojas físicas e na net e nada, até verificar que um veterinário que comecei a visitar recentemente tem stock deste produto e de tantos outros de difícil acesso.

Quanto às imagens de cima, para além do simpático Fibi, pode ver-se a Dot, o nosso primeiro animal de quatro patas, que apesar de muitíssimo fotogénica tem uma relação mais que dúbia com a máquina fotográfica - basta senti-la por perto e arreganha o dente, sendo portanto esta uma das raras ocasiões em que não aparenta ser uma verdadeira selvagem!



( Imagens: Iolanda Mealha )


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30 de Outubro de 2009

PARA ADOPÇÃO: 3 GATINHOS BEBÉS


Este lindíssimo gatinho beige é um de três irmãos que se encontram a viver ao relento num quintal em Matosinhos. 
Para além deste doce, o segundo mano é igualmente beige com os olhos azuis (mas com menos riscas), e o terceiro é semelhante mas com algumas características de siamês. 

São os três muito mansinhos, estando somente a aguardar um lar para serem resgatados.


Contacto:

➲ 93 460 41 47
maildasofiaferreira@gmail.com

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24 de Outubro de 2009

ESTERILIZAÇÃO: CAMILA






Após várias tentativas para a apanhar, a Camila foi finalmente esterilizada.
Visto ter ganho algum peso com a comida que lhe damos 2 vezes ao dia, alguns vizinhos menos bem intencionados - que claro está nunca se preocuparam em alimentá-la - começavam a ficar entusiasmados com a hipótese de uma ninhada de uma gata siamesa (como se já não houvesse animais suficientes a morrer nas ruas e em canis), enquanto outros lhe atiravam com baldes de água para se afastar... 
No final de contas, a gata encontrava-se apenas e só muito bem alimentada, uma imagem muito diferente do corpo quase cadavérico que exibia quando a conhecemos.

Visto ser muitíssimo silvestre e não passível de adopção, com muita paciência, eu e o meu marido conversámos com as pessoas em questão (que se queixavam de uma hipótese remota de algum dia... quem sabe... talvez... ser possível virem a ter pulgas em casa...) sendo que após 8 dias a antibiótico e antes de ser solta, foi desparasitada internamente, aplicada uma pipeta anti-pulgas e, no caso de ser necessária proveniência, uma coleira de segurança anti-pulgas munida de uma chapa de identificação com o seu nome e o nosso contacto.

Durante a sua cómoda estadia, os aposentos da Camila foram esta jaula que adquiri pela net num fabricante espanhol - a mais em conta que encontrei, com um serviço ao cliente fantástico e entrega no dia seguinte - muito espaçosa, de facílima montagem, e totalmente desmontável para quando não se encontra em utilização.
(Neste momento encontra-se fora de stock, mas a que comprei foi a B293, que apesar de bastante grande, não me ocupa metade da casa!)

A Camila, toda vaidosa nestas fotos com a sua coleira nova, sente-se agora mais curiosa com a nossa casa e todos os seus habitantes. 
Só tenho pena que seja tão silvestre, caso contrário adoraria tê-la por cá.


( Imagens: Iolanda Mealha )

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20 de Outubro de 2009

PROCURA-SE: BOLINHAS




O Bolinhas é um caniche com quase 11 anos que fugiu de casa, em Valongo, no dia 31 de Maio deste ano, num Domingo de manhã.

Nestas fotografias o Bolinhas acabara de ser tosquiado, mas neste momento o seu pêlo branco já deverá estar mais comprido e encaracolado.
Devido à idade avançada, tem cataratas nos olhos, as quais são caracterizadas por uma névoa branca nas pupilas. 
Não possui chip nem utilizava coleira quando fugiu, mas um pormenor que poderá auxiliar na sua identificação é o tamanho da sua curta cauda.

Caso se cruzem com um cão com descrição similar, mesmo longe do local onde desapareceu (os cães conseguem percorrer muitos quilómetros), não hesitem em entrar em contacto com a sua dona, que amavelmente oferece recompensa a quem o localizar.

Contactos:


➲ Ana Rita Teixeira, 91 995 83 31 (móvel)  e  22 422 53 22 (fixo)


( Imagens: Ana Rita Teixeira )

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13 de Outubro de 2009

FLORA











Uma semana após a partida da Olívia, dirigi-me ao canil/gatil municipal de Lisboa a fim de dar uma oportunidade de vida a um dos inúmeros animais que por lá se encontravam. 
Nessa primeira visita, houve um em particular que me marcou profundamente e precipitou uma segunda ida - a Flora, uma pequenina gata branca com manchas negras, rasgados olhos de um verde-pálido, voz rouca de taberneiro, e o fim da cauda tragicamente em carne viva.
Miava imenso, com a característica voz e um olhar que nunca consegui esquecer, dirigindo-se a mim sempre que me via.
Consigo estavam dois bébés de cerca de 1/2 meses - que me asseguravam ser seus -  um deles, abstraído do local horrífico onde se encontrava, a brincar com a cauda ferida da suposta mãe.
A seu lado, na mesma box, estava a gata com os recém-nascidos já sem vida.

Apesar de querer muito trazer a Flora, devido a ter 2 filhotes e não os querer separar da 'mãe' - como já tinha excedido o número de animais permitido - acabei por trazer o Tomás e o Hugo, deixando a Flora para trás.

Nos dias que se seguiram a imagem da Flora a miar desalmadamente apoderou-se dos meus pensamentos, sendo que literalmente não conseguia pensar em mais nada, só nela presa naquela box imunda.
Mesmo tendo a noção que não é possível salvar todos os animais com que me cruzo e que esta gatinha seria mais uma entre os muitos que por lá se encontravam, senti-me impotente perante o seu destino, que caso por lá ficasse seria certamente trágico.

A fim de encontrar quem a albergasse, enviei e-mails e divulguei a Flora e os gatinhos o mais que pude, até que uma senhora do Norte me avisou que num forum se encontrava uma rapariga que tinha salvo uma gata do gatil municipal cuja descrição era a da Flora.
Incrédula, contactei a Ana - que a havia resgatado - que amavelmente me enviou as fotografias da gata tendo-se confirmado que, numa estranha obra do acaso, era mesmo a que havia visto, e que afinal, apesar de fisicamente semelhantes, os filhotes não eram seus.

A Flora - na altura Jade - era uma gata de rua (ver aqui e aqui), muito meiga, alimentada por uma senhora de idade lá para os lados de S. Bento, a qual, após ter uma ninhada, foi apanhada pelo canil municipal, onde a vi.

A sorte brilhou-lhe alguns dias depois, quando uma equipa de filmagens escolheu-a - juntamente com uma gata mais nova de aparência semelhante - para entrar num filme, mas aparentemente uma actriz não gostou muito da ideia de contracenar com as duas felinas e foram retiradas dos planos da equipa de filmagens.
Mesmo assim, a Flora e a sua pequena companheira já haviam sido removidas do corredor da morte e colocadas na clínica do canil, o que lhes acabou por salvar a vida.

Totalmente apaixonada pela frágil criatura que conhecera na pior das circunstâncias, comprometi-me no mesmo dia a ficar com ela, tendo ficado com a Ana até duas semanas após a segunda vacina contra o FeLV.
Foi esterilizada, a cauda foi parcialmente amputada e foi tratada enquanto aguardava a imunidade conferida pelas vacinas.

Fez este Domingo três semanas que a Flora chegou cá a casa. 

Mal a reencontrei achei-a um mimo, uma absoluta doçura, o animal mais frágil e doce que conheci, tendo-se integrado em apenas um ou dois dias com os outros habitantes da casa.
Muito bonita e castiça, a gatinha de tamanho mini, delicadas patas, olhos rasgados, pequenina cauda amputada e estranha voz rouca, reconquistou o meu coração e fiquei tão feliz por a ver novamente, desta feita na minha casa, com todo o conforto e atenção que merecia.

Quando chegou reparei que estava magra e com a barriga um pouco saliente mas, dado estar a ter acompanhamento veterinário, atribuí tal facto à sua própria constituição física.
No entanto, à medida que a semana ia passando, dado a barriga parecer visualmente 'deslocada' do resto do corpo, comecei a desconfiar que poderia ser PIF (Peritonite Infecciosa Felina).
No veterinário, após um teste de coronavírus altíssimo - 1 para 3200 - e juntamente com os outros sinais clínicos, confirmou-se o diagnóstico.
Claro está que fiquei devastada porque esta doença, praticamente incurável, é a mais temida entre quem tem gatos... Apesar de cerca de 80% destes animais já ter sido infectado pelo vírus FCoV - o qual origina esta terrível doença - o mesmo é praticamente inócuo até que uma situação de grande stress ambiental (mudança de casa, abandono, um novo animal) ou físico (vacinas, doenças) origina a sua mutação para PIF, que é nem mais nem menos que uma resposta inflamatória do sistema imunitário à presença do vírus mutado.

Como sempre, pesquisei todas as informações que consegui encontrar sobre esta doença, tendo descoberto que, apesar do diagnóstico de PIF ser à partida uma sentença de morte, religiosamente medicados cerca de 30% dos gatos conseguem montar uma resposta imunitária positiva e reverter o processo.
A Flora tinha um caso de PIF húmido ou efusivo, no qual o abdómen se encontra aumentado devido à presença de um líquido inflamatório amarelo, a ascite, que à medida que progredisse em volume acabaria  por fazer pressão sobre os orgãos vizinhos.
O prognóstico apresentava-se como muito reservado, mas dado 3 em cada 10 gatos sobreviverem ao PIF, decidi que, enquanto tivesse qualidade de vida, tudo faria para que a Flora pertencesse ao grupo dos sobreviventes (eu não acredito em eutanásia somente baseada num diagnóstico, pois enquanto o animal não sofrer, estiver confortável e passível de ser tratado, tem direito à vida).

A Flora estava estável, comia muito bem e fazia sua vida normalmente, pelo que decidi consultar outra médica, proactiva e muitíssimo bem informada, a qual, apesar de confirmar que haviam grandes hipóteses da Flora não sobreviver, considerou valer a pena iniciar o tratamento indicado nestes casos.
A Flora iniciou o tratamento que consistia em injecções de 2 em 2 dias do imuno-estimulante Infermun, num corticóide (para diminuir a resposta imunitária contraprodutiva), um antibiótico de tetraciclina (para evitar infecções oportunistas devido à baixa da resposta imunitária), um diurético (para ajudar a drenar o líquido inflamatório), 1 ml diário de Interferon oral (um imuno-estimulante), e três potentes suplementos alimentares: Corpet (outro imuno-estimulante comprovado, entre outros, em casos de FeLV, FIV e PIF) Hemolitan (um suplemento para casos de anemia) e Nutri-plus, um gel altamente calórico e nutritivo que já havia dado à Olívia e ao Tomás.

A Flora foi devidamente medicada e tratada com muito amor, mas infelizmente no Domingo perdeu a vontade de comer e notei que se esforçava a respirar.
Ontem, de lágrimas nos olhos e com suspeitas de que o líquido teria progredido para os pulmões, levei-a à veterinária que a seguia já a temer o pior, tendo-se de facto confirmado o que temia após um raio-x... Os pulmões estavam agora a começar a ser preenchidos e, apesar de ainda ter cerca de uma semana de vida, seria em desnecessário sofrimento, visto o seu sistema imunitário não estar a responder ao tratamento e a progressão da doença ir somente fazê-la definhar sem sentido.

A Flora foi adormecida connosco a seu lado, e apesar de ver uma criatura que amamos tanto cessar de respirar e cair inanimada ser absolutamente assustador e extremamente doloroso, sei de todo o coração que foi o melhor para ela, mas lamento que não lhe tenha sido possível ter uma vida mais feliz após um passado cheio de tristeza.
Como os nossos outros meninos que partiram, a Flora será cremada individualmente esta Quinta-feira, para que a sua presença faça parte das nossas vidas para todo o sempre.

Aqui deixo algumas fotos da gatinha mais suave e frágil que conheci...


( Imagens: Iolanda Mealha )

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30 de Setembro de 2009

DE GATAS


Os últimos dias trouxeram imensas peripécias felinas, sendo que lamentavelmente a maioria não é totalmente feliz no seu conteúdo.

Uma delas, decorrida no passado Domingo, envolveu um gatinho bébé de cerca de 2/3 meses.
Após ouvi-lo miar desalmadamente durante horas num quintal próximo do meu, à noite o meu marido lá conseguiu avistá-lo na rua, debaixo de um carro.
Depois de inúmeras tentativas de o apanhar - as quais envolveram mais uma pessoa e dois vizinhos que o localizavam nas várias fugas - o gatinho preto refugiou-se habilmente no interior da roda de um carro sem que ninguém o conseguisse avistar, muito menos apanhar.

Estava eu de gatas à procura do bébé, quando como que combinado lá apareceram os donos do carro em questão, a caminho de viagem, tendo muito amavelmente verificado o motor do veículo e cuidadosamente tentado afugentar o pobre animal ligando o carro e virando lentamente a roda.

Claro está que o bébé fugiu novamente, de volta aos quintais, mas como a noite estava cerrada e não temos acesso aos espaços vizinhos, só nos foi possível avistar a esquiva criatura a apresentar-se ao Risquinhas numa tipicamente felina troca olfactiva.
Dado os bébés desta idade ainda serem extremamente vulneráveis na rua sem o auxílio maternal, só me resta esperar que se tenha juntado à primeira das nossas mini-colónias, alimentada duas vezes ao dia e protegida pela relativa segurança dos quintais.

Entretanto a Flora, uma doçura de gatinha e grande amiga do Fibi (na imagem) já mora cá em casa.


( Imagens: Iolanda Mealha )

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23 de Setembro de 2009

NO VETERINÁRIO

A ida ao veterinário é sempre uma aventura.
Com o tempo de espera e os animais que se encontram na sala, as histórias de cada um deles vão sendo alegremente trocadas na contagem decrescente para a consulta.
Nos últimos meses, conheci um par de catatuas que curiosamente haviam-se refugiado em casas diferentes no mesmo fim-de-semana chuvoso e, ao encontrarem-se naquele dia, comunicavam alegremente; uma tartaruga de 12 anos, na qual peguei, Nina de nome e com uma dona de idade muito simpática; alguns coelhos, e uma lista infindável de cães e gatos com variadas maleitas.

Desta vez conheci uma rapariga apaixonada por papagaios e gorilas que trazia 2 gatinhos de cerca de 2 meses, pelagem preta e olhos azul-petróleo, e que incompreensivelmente tinham sido abandonados numa mata, dentro de uma caixa com areia; uma senhora chique acompanhada de uma cadela rafeira lindíssima a qual tratava como uma filha e que, tal como eu, afirmou-se incapaz de comprar um animal ou dar preferência a raças (um óptimo exemplo, na minha opinião); uma ternura de senhora de 77 anos, com 3 gatas em casa e o coração partido por não poder albergar uma gatinha bébé de uma colónia que alimenta; e um casal que tinha recentemente adoptado dois irmãos bébés, também totalmente pretos (de olhos amarelos, como a Olívia, na imagem), com outra gata preta em casa - com uma perna amputada - e que se queixava da discriminação existente contra os gatos de pelagem negra. A realidade é que mesmo num país europeu, em pleno século XXI, estes animais ainda são os últimos a serem adoptados devido a superstições arcaicas!

É reconfortante encontrar pessoas que atribuem o maior dos valores aos animais, no entanto sei que, por todo o país, por todo o mundo, ainda há quem lhes negue respeito e compaixão e, consequentemente, os devidos cuidados veterinários.
Estas histórias de tolerância, tão díspares no seu conteúdo mas com a bondade como denominador comum, fazem-me sentir esperança de que, pouco a pouco, passo a passo, as mentalidades evoluam e os animais encontrem finalmente o seu lugar neste mundo.

( Imagem: Iolanda Mealha )

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