30 de setembro de 2009

DE GATAS


Os últimos dias trouxeram imensas peripécias felinas, sendo que lamentavelmente a maioria não é totalmente feliz no seu conteúdo.

Uma delas, decorrida no passado Domingo, envolveu um gatinho bébé de cerca de 2/3 meses.
Após ouvi-lo miar desalmadamente durante horas num quintal próximo do meu, à noite o meu marido lá conseguiu avistá-lo na rua, debaixo de um carro.
Depois de inúmeras tentativas de o apanhar - as quais envolveram mais uma pessoa e dois vizinhos que o localizavam nas várias fugas - o gatinho preto refugiou-se habilmente no interior da roda de um carro sem que ninguém o conseguisse avistar, muito menos apanhar.

Estava eu de gatas à procura do bébé, quando como que combinado lá apareceram os donos do carro em questão, a caminho de viagem, tendo muito amavelmente verificado o motor do veículo e cuidadosamente tentado afugentar o pobre animal ligando o carro e virando lentamente a roda.

Claro está que o bébé fugiu novamente, de volta aos quintais, mas como a noite estava cerrada e não temos acesso aos espaços vizinhos, só nos foi possível avistar a esquiva criatura a apresentar-se ao Risquinhas numa tipicamente felina troca olfactiva.
Dado os bébés desta idade ainda serem extremamente vulneráveis na rua sem o auxílio maternal, só me resta esperar que se tenha juntado à primeira das nossas mini-colónias, alimentada duas vezes ao dia e protegida pela relativa segurança dos quintais.

Entretanto a Flora, uma doçura de gatinha e grande amiga do Fibi (na imagem) já mora cá em casa.


( Imagens: Iolanda Mealha )

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23 de setembro de 2009

NO VETERINÁRIO

A ida ao veterinário é sempre uma aventura.
Com o tempo de espera e os animais que se encontram na sala, as histórias de cada um deles vão sendo alegremente trocadas na contagem decrescente para a consulta.
Nos últimos meses, conheci um par de catatuas que curiosamente haviam-se refugiado em casas diferentes no mesmo fim-de-semana chuvoso e, ao encontrarem-se naquele dia, comunicavam alegremente; uma tartaruga de 12 anos, na qual peguei, Nina de nome e com uma dona de idade muito simpática; alguns coelhos, e uma lista infindável de cães e gatos com variadas maleitas.

Desta vez conheci uma rapariga apaixonada por papagaios e gorilas que trazia 2 gatinhos de cerca de 2 meses, pelagem preta e olhos azul-petróleo, e que incompreensivelmente tinham sido abandonados numa mata, dentro de uma caixa com areia; uma senhora chique acompanhada de uma cadela rafeira lindíssima a qual tratava como uma filha e que, tal como eu, afirmou-se incapaz de comprar um animal ou dar preferência a raças (um óptimo exemplo, na minha opinião); uma ternura de senhora de 77 anos, com 3 gatas em casa e o coração partido por não poder albergar uma gatinha bébé de uma colónia que alimenta; e um casal que tinha recentemente adoptado dois irmãos bébés, também totalmente pretos (de olhos amarelos, como a Olívia, na imagem), com outra gata preta em casa - com uma perna amputada - e que se queixava da discriminação existente contra os gatos de pelagem negra. A realidade é que mesmo num país europeu, em pleno século XXI, estes animais ainda são os últimos a serem adoptados devido a superstições arcaicas!

É reconfortante encontrar pessoas que atribuem o maior dos valores aos animais, no entanto sei que, por todo o país, por todo o mundo, ainda há quem lhes negue respeito e compaixão e, consequentemente, os devidos cuidados veterinários.
Estas histórias de tolerância, tão díspares no seu conteúdo mas com a bondade como denominador comum, fazem-me sentir esperança de que, pouco a pouco, passo a passo, as mentalidades evoluam e os animais encontrem finalmente o seu lugar neste mundo.

( Imagem: Iolanda Mealha )

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16 de setembro de 2009

PARA ADOPÇÃO URGENTE: PIROLITA


A Pirolita foi deixada no Grupo de Voluntários de Cascais pelas mãos da própria dona, que apesar de a haver criado desde bébé, havia ficado sem condições para a manter na família.
Habituada a um lar, está a ser muito difícil a sua adaptação à vida na Associação, correndo sério risco de entrar em depressão (cuja consequência por vezes vezes é a anorexia), sendo portanto muito urgente a sua adopção.

A Pirolita é muitíssimo bonita (ver mais imagens aqui), de suave pêlo cinza-claro e grandes olhos verdes, encontrando-se esterilizada.
Dado haver sido sempre filha única, só poderá ser adoptada por famílias com poucos - ou nenhuns outros - animais.

Contactos:

➲ Maria João, 91 408 27 02 e 96 456 74 09 (todos os dias)
➲ Vânea, 91 325 07 66 (2ªs, 4ªs, 6ªs e Sábados, das 16h às 21 h)
g.voluntarios@gmail.com


( Imagem: Grupo de Voluntários de Cascais )

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14 de setembro de 2009

SINTRA


Numa longa caminhada por Sintra, avistei este lindíssimo gato em cima de um muro.
De pêlo comprido e uma adorável mistura de tabby e siamês, fugiu mal sentiu uma presença estranha, mas eis algumas das fotos que (ainda) consegui tirar.
Com tanta pressa de sua parte, não fui a tempo de fotografar a cauda, de um lindíssimo e inesperado castanho chocolate e tão farta quanto um espanador!

During a long walk through Sintra, i've set eyes on a gorgeous cat on top of a brick wall.
An adorable long furred tabby/siamese mix, he ran away as soon as he felt a strange presence, so these are some of the photos i (still) managed to take.
So willing he was to get away, i wasn't able to take a picture of his tail, sporting a quite unexpected chocolate brown and as shaggy as a feather duster!

( Imagens/Images: Iolanda Mealha )

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9 de setembro de 2009

DE COLAR

O Tomás já foi esterilizado, e hoje, dois dias após a cirurgia, retira o colar isabelino que tanto o incomoda nos afazeres diários.
Daqui a duas semanas, irá lentamente começar a forjar uma nova relação com o Fibi, relação essa que espero seja tão próxima e amigável quanto a do Fibi com o Tobias.

E, como a casa encontra-se mais que repleta de rapazes, o findar de Setembro trará mais uma presença feminina.
Novidades muito em breve...

Tomás has been neutered, and today, two days after the surgery, will finally get rid of the elizabethan collar which annoys him to a great extent.
Two weeks from now, he will slowly begin forging a new relationship with Fibi, which i hope will be as close and friendly as the one Fibi had with
Tobias.

And, because the household has more than its share of boys, late September will bring another feminine presence.
More on this quite soon...


( Imagem/Image: Iolanda Mealha )

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7 de setembro de 2009

PARA ADOPÇÃO URGENTE: CACHORRAS(OS)

É sempre com um misto de tristeza e esperança que aqui divulgo animais à procura de uma família, sendo que hoje - devido ao número de animais neste apelo, à urgência dos mesmos, e ao facto de ainda serem muitíssimo jovens - a tristeza sobressai-se um pouco mais.

A jovem cadela da foto foi resgatada da rua, onde circulava perigosamente no meio de carros.

Infelizmente, quem a resgatou não a pode manter devido à não aceitação da parte dos outros membros da família, sendo que esta doce cadelinha corre o risco de tornar a ser abandonada e voltar para de onde veio. Sendo muito irrequieta e inexperiente, as hipóteses de ser atropelada são altíssimas.
Esta doçura encontra-se em Lisboa, é de porte pequeno/médio e tem cerca de 5 meses.

➲ Pé ante Pata, 96 358 20 33 - e depois das 18 horas - 96 796 17 32.


A Norte, no Canil da Maia, encontram-se 28 cachorrinhos bébés em risco de serem abatidos.
São muitíssimo meigos - de  portes  pequeno, médio e grande - e encontram-se somente a aguardar por uma família que os acolha, quer permanentemente, quer como Família de Acolhimento Temporário (FAT), oferecendo-lhes uma nova oportunidade de vida.

➲ 91 849 95 42, 96 377 19 88
➲ alexandra.pravi@gmail.com, liliana.pravi@gmail.com


No canil do Grande  Porto, encontra-se desde 24 de Julho passado uma cachorra muitíssimo meiga.
De nome Lola, devido à sua enorme simpatia o seu abate tem vindo a ser adiado, mas infelizmente durante ainda esta semana deixará de o ser...
Se puder ajudar a Lola a ter um final feliz, ela ficar-lhe-á eternamente agradecida.

➲ Maria João, 91 446 92 66


( Imagem: Pé ante Pata )

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4 de setembro de 2009

PELO TÚNEL | THROUGH THE TUNNEL

Após uma muito longa espera devido a problemas gastrointestinais de difícil resolução, para grande alívio nosso o Tomás vai finalmente ser esterilizado!

Nestes últimos 2 meses, tem dormido isolado do resto da casa - a fim de na sua afirmação como macho Alfa não atacar o Fibi durante a noite - sendo que na última semana essa necessidade de protagonismo felino tem vindo a escalar dramaticamente.

Após a esterilização, resta-nos aguardar mais 2 semanas (o tempo que leva a diminuir os níveis de testosterona no seu organismo), e finalmente juntar-se-á sem restrições ao Fibi.
Entretanto, aqui deixo uma imagem do Tomás junto a um dos brinquedos da casa: um túnel para gatos que trouxe da Ikea e que de quando em vez faz as delícias dos felinos locais.

Bom fim-de-semana. :)

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After a very long wait due to difficult to resolve gastrointestinal problems, Tomás is finally going to be neutered!

In the last 2 months, he has been sleeping separated from the rest of the household - in order to, in his quest to assert himself as the Alfa male, not attack Fibi during the night - and in the last week his need to impose himself has dramatically increased.

After being neutered, we'll still have to wait 2 weeks so his testosterone levels drop completely, but after that period, he can finally join Fibi without any restriction whatsoever.
Meanwhile, here's an image of Tomás near one of the household toys: a cat play tunnel bought at Ikea, that once in a while proves to be immensely delightful for the local felines.

Have a lovely weekend.
:)

( Imagem/Image: Iolanda Mealha )

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2 de setembro de 2009

FAUNA VIZINHA


Para além dos animais que habitam cá em casa, alimentamos uma mini-colónia que vive entre o nosso telhado e os quintais dos vizinhos.

Dois deles, o Risquinhas - um tabby amarelado - e a Camila - uma jovem siamesa - aparecem-nos duas vezes ao dia e observam, do alto do telhado, os nossos afazeres e os dos seus vizinhos de quatro patas!

Lamentavelmente, há quem tenha como hobby o afogamento de ninhadas ou o envenenamento de colónias inteiras (ou então recorra ao uso da pílula nas fémeas, aumentando ainda mais o risco de cancro mamário), preferindo desse modo recorrer à violência do que a uma simples esterilização, feita a valores muitíssimo baixos no caso de animais de rua.

A fim de esterilizar a minha mini-colónia, comprei ontem pela net uma armadilha humana para gatos, a qual, através da colocação de algo delicioso como atum, permite apanhá-los sem os magoar (ver aqui).
Depois, basta verificar frequentemente se o gatinho já lá está e, mal entre, retirá-lo com cuidado.

Mais desenvolvimentos brevemente!

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Besides our pets, we feed a very small colony of cats which live between our rooftop and our neighbours' backyards.

Two of them, Risquinhas - a yellowish male tabby - and Camila - a young female siamese - show up twice a day and watch, from the rooftop, our daily affairs and those of their four-legged neighbours!

Unfortunately, some people have the habit of drowning liters or poisining whole colonies (or giving the pill to females, rising even more the risk of breast cancer), simply because they prefer resorting to violence than spaying and neutering the animals, a procedure performed at very low prices in case of a feral cat.

In order to spay and neuter our mini-colony, yesterday i've purchased online a humane cat trap which, by putting something delicious such as tuna, makes it possible to catch them without harm (seen here).
Then, all one has to do is to check it frequently, and as soon as the cat enters it, carefuly remove him/her.

More on this subject quite soon!

( Images: Iolanda Mealha )


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31 de agosto de 2009

NOSTALGIA: ALFRED HITCHCOCK


Para iniciar a semana, trago-vos um personagem do imaginário colectivo - e um dos meus realizadores de eleição - Alfred Hitchcock.
O excêntrico britânico de perfil característico e paixão por ornitologia, retratou as misteriosas criaturas em alguns dos seus maiores êxitos, como Psycho e The Birds (nas imagens de cima).
Deixando a descoberto uma faceta mais obscura das aves (baseada em inúmeros casos verídicos e atribuído pelos ornitólogos a causas naturais como a procura de alimento, falta de inimigos com os quais interagir ou, a teoria preferida de Hitchcok - a um tipo aviário de raiva), prendeu-nos ao ecrã com um novo género, mais subtil e intrigante, de filme de terror.

Conhecido pelos cameos que integrava nos seus próprios filmes (como a cena da fotografia a preto e branco em Dial M for Murder), o realizador também pode ser visto a cruzar-se com Tippi Hedren em The Birds, ao sair de uma loja de animais em São Francisco com Stanley e Geoffrey, os seus dois cães na vida real, e inspiração para a produtora que fundou para filmar Marnie.

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In order to start up the week, i bring you someone who belongs to the colective imaginary of us all - and one of my favourite filmmakers - Alfred Hitchcock.
This british eccentric of unmistakable profile and a passion for ornithology, has featured the mysterious creatures in some of his biggest successes, such as Psycho and The Birds (in the images above).
Unfolding a more obscure side of birds (based on numerous reports attributed by ornithologists to natural causes such as search for food, a lack of enemies to fight with, or Hitchcock's theory of choice - an aviary form of rabies), allured us to the silver screen with a new genre, more subtle and intriguing, of horror film.

Famous for cameos in his own movies (like the scene of the black and white photograph in Dial M for Murder), the director can also be seen passing Tippi Hedren while leaving a San Francisco pet shop with his real life dogs on a leash, Stanley and Geoffrey, the inspiration behind his production company for the movie Marnie.


( Imagens/Images: The Birds )

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26 de agosto de 2009

O CANIL/GATIL DOS NOSSOS IMPOSTOS


Para lá chegar há que atravessar um corredor aparentemente infindável de cães acorrentados pelo pescoço.
Imóveis e assustados, aguardam que alguém os salve e os leve dali para fora, mas lamentavelmente, há quem prefira adquirir ou procriar um animal a dar uma segunda oportunidade a estas dóceis criaturas.

Findo o corredor envidraçado, e à distância de duas portas de metal, encontra-se o gatil; uma grande sala sem luz natural, repleta de boxes, e com o som inconfundível de muitos miares e alguns ladrares de cães bébés.
O cheiro é nauseabundo, devendo-se às fezes e urina que cobrem o chão. As boxes, com fundo de arame, aleijam as patas e estão na sua totalidade desprovidas de caixas de areia, por vezes comida, e muitas vezes de água limpa, estando os recipientes sujos com algo que aparenta ser uma mistura de urina e diarreia.
Devido ao fundo desconfortável e sujo, as escoriações nas patas são comuns, e por lá deixados, as hipóteses de sobrevivência, quer por eventual abate ou doença, são quase nulas.

Integrado no departamento de Limpeza Urbana - e ironicamente, muito longe de ser higiénico - os responsáveis pelo manuseamento e interacção com os animais não são assistentes de veterinária, mas sim homens do lixo.
Os veterinários aparentam desconhecer os animais, e se juntarmos o estado debilitado em que se encontram (por vezes pior do que na rua), então é fácil depreender que a assistência veterinária encontra-se reservada somente para o momento da adopção, quando se tornam pertença de alguém.
No meio de tantos animais, encontram-se vários bébés, alguns visivelmente doentes, outros aparentemente saudáveis. Uns com as mães, outros sozinhos, alguns nascidos no local - sobre a terrível base de arame - mas todos deixados à sua sorte.
Numa deslocação vi, juntamente com mais duas pessoas, uma mãe com os recém-nascidos, alguns ainda vivos, outros esmagados contra a rede de metal, o sangue deles a escorrer para o chão já de si imundo.
É uma imagem demasiado crua e cruel para transpor para palavras.

Este é o retrato do gatil municipal de Lisboa, por detrás de portas, a anos de luz dos olhares dos media que teimam em perseguir os candidatos à presidência.
É uma realidade de terceiro mundo, de cenário de guerra, financiada pelos nossos impostos e a qual, a maioria de nós, teima em virar a cara quer por indiferença quer por receio daquilo com que poderá ser confrontado.
Somente cerca de 8% dos animais que lá chegam têm a sorte de ser adoptados, pelo que, para além da esterilização massiva e não procriação de animais, é urgente sairmos da nossa zona de conforto e oferecermos uma segunda oportunidade de vida aos que por lá se encontram.
Lamentavelmente, este retrato não será certamente único neste país, mas por de lá haver resgatado alguns animais, é aquele que conheço intimamente.

A curto prazo, algumas medidas muito simples - e de baixo orçamento - melhorariam substancialmente a vida destes animais... No caso do gatil, bastava substituirem as boxes por outras com base em metal (a fim de não lhes aleijar as patas e serem de fácil higienização), de preferência individuais para não se propagarem doenças (só mistas no caso de mãe e crias), com acesso a comida e água limpas e, igualmente essencial, a areia de gato, renovada uma vez ao dia, a fim de fazerem as suas necessidades de modo higiénico.
No caso dos cães, bastava boxes ao ar livre (como as da entrada) e sem recurso a correntes, umas mantas, e acesso a comida e água limpas.
Para além disso, seria igualmente de louvar que todos os animais passassem obrigatoriamente por uma consulta veterinária aquando da sua chegada, e posterior tratamento caso necessário.
Esta simples logística seria levada a cabo com a ajuda de auxiliares de veterinária, profissionais certamente mais aptos para o contacto com animais que o pessoal da Limpeza Urbana.

Para além destas medidas dignas de país de primeiro mundo, o maior ganho estará na prevenção, pelo que seria também essencial abraçar uma nova política de controlo do número de animais de rua.
Há muito que defendo que os canis municipais, ao invés de actuarem como um corredor da morte, deveriam aplicar os seus recursos na prevenção de nascimentos, atacando o problema na raíz e não somente de modo paliativo.
As Câmaras devem utilizar os meios que possuem, como veterinários e instalações, na esterilização massiva de colónias a fim de prevenir os nascimentos, não na morte de quem já nasceu.
Ao esterilizar os animais de rua, devolvendo à colónia de origem os não domesticáveis e colocando para adopção as crias e adultos sociáveis (alojados em espaços com boas condições de limpeza e nutrição, claro está), estar-se-ia simultaneamente a controlar a natalidade e promover adopções.
Deste modo - mais humano e racional - de lidar com um problema existente, todos sairíam vencedores... Os animais não perderiam a vida de forma desumana, os veterinários serviriam o propósito da sua vocação (salvar vidas), e os impostos de todos nós contribuiriam para uma sociedade de trato mais civilizado.

A fim de defender uma política de esterilização nos canis municipais, foi criada uma petição online, que deverá ser assinada até ao próximo dia 15 de Setembro.
É da maior importância que todos aqueles que partilham de uma visão mais humana no trato animal se juntem a esta causa, a fim de todos juntos colocarmos um ponto final nesta calamidade silenciosa.

Para finalizar, gostaria de acrescentar que, apesar de não serem imagens confortáveis para quem gosta de animais, aconselho *vivamente* a adopção de um animal num qualquer canil/gatil municipal.
Pode parecer contraditório após este relato, mas o facto é que se todos virarmos o rosto áqueles cães e gatos, ninguém os salvará por nós.
Há que resgatá-los (sem recurso às cruéis tenazes de metal com que os retiram das boxes - basta colocar a transportadora lá dentro), oferecer-lhes uma segunda oportunidade na vida, e divulgar ao máximo as péssimas condições em que são mantidos.
A estatística, terrível na sua enormidade, confirma que 92% dos animais que por lá se encontram não são adoptados, pelo que quer percam a vida ao 9º dia de estadia ou passado um mês, o seu final será sempre o mesmo. A morte.
Cabe-nos a nós fazer a diferença.

( Na imagem pode ver-se o Tomás, um dos resgatados do gatil, duas semanas após a sua chegada a casa. Ainda muito magro e ferido, embora visivelmente melhor, encontrava-se nesse momento em recuperação. )


Canil Municipal de Lisboa, Estrada da Pimenteira, Monsanto.
As adopções podem ser realizadas nos dias úteis entre as 9h30 e as 17h00, e no fim-de-semana mediante contacto prévio através do telefone 21 361 77 00.
Passados 20 dias da adopção, a esterilização é gratuita.



( Texto e Imagem: Iolanda Mealha )

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24 de agosto de 2009

ONTEM | YESTERDAY



Já aqui falei dos gatos da família, o Fibi e o Tomás, mas ainda não apresentei devidamente os dois canídeos da questão: a Dot (a cadela branca) e o Dário (o cão grande).

Este fim-de-semana, como de costume, demos uma longa caminhada num dos nossos spots preferidos em redor de Lisboa, respirámos o mais puro dos ares e apanhámos deliciosas amoras. Para a semana há mais.

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I've already mentioned the family cats, Fibi and Tomás, but the family dogs haven't still been properly introduced, so here they are: Dot (the white one, a female) and Dário (the big one, a male).

This weekend, as usual, we went for a long walk on one of our favourite spots around Lisbon, breathing in fresh air and picking delicious blackberries (the fruit, not the phone, unfortunately!). Next week there's more.


( Imagens/Images: Álvaro Ramos, Iolanda Mealha )

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20 de agosto de 2009

PARA ADOPÇÃO: BALBOA


Esta é a Balboa, uma jovem cadela muito meiga e sociável que vivia nas ruas de Braga quando foi gravemente ferida por mão humana.

Resgatada pela ABRA, e após tratamento intensivo, esta lindíssima cadela encontra-se a recuperar muitíssimo bem, necessitando agora de uma FAT ou de um dono, com algum espaço e muito amor para oferecer.
É de porte médio, e encontra-se esterilizada.

Contacto:

ABRA, 91 238 05 60


( Imagens: ABRA )

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